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CBYK quer dobrar faturamento em dois anos com IA, segurança e antifraude
17/09/2026 às 11h15

Empresa quer atuar em toda a jornada digital e na criação de possibilidades de negócios a clientes
A CBYK quer dobrar o faturamento nos próximos dois anos apoiada em duas frentes: a oferta de serviços antifraude, que já representa uma parte considerável dos negócios, e o desenvolvimento de soluções de inteligência artificial (IA), incluindo aplicações para o mercado jurídico.
A estratégia faz parte de uma mudança no posicionamento da companhia, que busca ampliar a atuação em consultoria e participar de decisões de negócio dos clientes, além da execução de projetos de tecnologia. A empresa tem mais de dez anos de atuação e presença em oito países.
“Antes, nos apresentávamos como uma empresa de tecnologia que resolvia problemas e executava tarefas. Hoje, estamos habilitados para atuar em toda a jornada digital do cliente. Tecnologia se tornou commodity e precisamos entender mais os negócios de nossos parceiros”, afirma Alcione Giovanella, sócio e diretor-executivo da CBYK.
Uma das apostas da companhia está no uso de IA em atividades jurídicas. A CBYK identifica oportunidades no volume de processos e nas atividades realizadas por departamentos jurídicos e empresas que prestam serviços nessa área.
Segundo Giovanella, parte desse trabalho pode ser executada em escala com o uso de IA, principalmente em atividades que envolvem análise de documentos, processos e informações jurídicas.
A companhia também trabalha no desenvolvimento de uma plataforma própria de IA para o mercado jurídico. A proposta é aplicar a tecnologia ao contexto brasileiro, com uso de dados e informações específicas do setor.
A CBYK atualmente apresenta a LegalBlox como sua operação de IA jurídica, estruturada a partir do Innovation Lab da companhia. A plataforma é descrita pela empresa como uma solução voltada a atividades como análise de documentos, contratos, processos e pesquisa jurídica.
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Antifraude ganha espaço
Outra frente importante da estratégia é a área de antifraude. A CBYK mantém operações de Business Process Outsourcing (BPO) para grandes clientes, principalmente dos setores financeiro, de seguros e de tecnologia.
O trabalho inclui desenvolvimento, análise e operação de plataformas de prevenção a fraudes e lavagem de dinheiro, segundo a companhia. A empresa vê espaço para ampliar essa atuação com a expansão do open finance, dos pagamentos digitais, dos cartões e do comércio eletrônico.
Na entrevista, Giovanella afirma que o mercado brasileiro exige soluções adaptadas à realidade local. Ele cita como exemplo um projeto desenvolvido durante a pandemia para avisar clientes de um banco sobre possíveis transações fraudulentas por WhatsApp.
Segundo o executivo, a comunicação por SMS utilizada anteriormente tinha taxa de resposta de cerca de 25%. A equipe decidiu testar o envio das mensagens por WhatsApp usando uma conta verificada, e a mudança teria provocado uma alta significativa na resposta dos clientes.
O projeto teve ainda um efeito inesperado. Depois que o banco divulgou a funcionalidade em uma propaganda exibida no Jornal Nacional, a adesão simultânea dos usuários provocou uma sobrecarga na API da Meta nos primeiros dias, relata Giovanella.
Para ele, o episódio mostra que tecnologia e comportamento do usuário precisam ser considerados em conjunto. “A tecnologia tem que estar conectada com as pessoas, o país e a realidade em que vivemos”, diz.
Crescimento e aquisições
A estratégia de expansão também inclui alianças e possíveis aquisições. A CBYK busca startups em estágio inicial ou de crescimento nas áreas de dados e análise, computação em nuvem e segurança.
A companhia também ampliou sua estrutura de gestão e criou um conselho consultivo estratégico com profissionais com experiência em estratégia de negócios, fusões e aquisições e marca.
Segundo Giovanella, a CBYK cresceu dois dígitos nos cinco anos anteriores e agora busca um perfil diferente de expansão. A empresa não divulga publicamente o faturamento usado como base para a meta de dobrar a receita.
A mudança também envolve a relação com os clientes. Em vez de concentrar a atuação na execução de projetos, a companhia busca participar mais diretamente da identificação de problemas e oportunidades de negócio. “Eles querem um parceiro que ajude a dar resultado para o negócio”, afirma Giovanella.
Para o executivo, a transformação da CBYK não depende apenas da tecnologia. A capacidade de adaptar soluções à realidade de cada cliente e de cada mercado também será determinante para a estratégia de crescimento.
A avaliação é especialmente relevante para as áreas de IA e antifraude, em que a adoção das ferramentas depende não apenas de capacidade técnica, mas também de processos, comportamento dos usuários e confiança nas soluções.
Alcione Giovanella, sócio e diretor-executivo da CBYK
