CBYK
Orçamento de tecnologia e suas prioridades
21/09/2026 às 11h52

Agentes de IA, integração, segurança, retorno sobre investimento e infraestrutura avançam da experimentação para decisões concretas
epois de um ciclo marcado por experimentações e provas de conceito, a adoção de inteligência artificial entra em uma nova etapa. As empresas começam a transformar possibilidades tecnológicas em decisões de investimento, com maior cobrança por escala, segurança e retorno.
Para Maurício Matsuda, CEO da CBYK, as discussões da FEBRABAN TECH 2026 evidenciaram cinco prioridades que devem ganhar espaço nos orçamentos corporativos: agentes de IA, integração, segurança, retorno sobre investimento e infraestrutura.
“A discussão sobre tecnologia mudou de patamar. Não basta experimentar uma solução. As empresas precisam saber onde ela gera valor, como será integrada à operação, quais riscos envolve e se existe uma estrutura capaz de sustentar seu crescimento”, afirma Matsuda.
O movimento já aparece no setor financeiro. Os bancos estimam investir R$ 50,4 bilhões em tecnologia em 2026, alta de 8% sobre o ano anterior, segundo a FEBRABAN. Embora específico do setor, o dado sinaliza uma mudança mais ampla nos investimentos corporativos em tecnologia.
IA deixa de apenas responder e passa a agir
Entre as principais mudanças está o avanço dos agentes de inteligência artificial, capazes de consultar informações, acessar sistemas e executar etapas de processos.
A evolução amplia as possibilidades de automação, mas exige limites de autonomia, critérios de acesso e definição das situações em que a supervisão humana permanece necessária.
“Os agentes representam uma evolução da automação porque passam a executar ações dentro dos processos. O desafio é identificar onde essa autonomia gera valor e estabelecer controles adequados”, explica.
A produtividade já aparece entre os principais benefícios. Dados da FEBRABAN mostram que 92% dos bancos apontam o aumento da velocidade na execução de tarefas rotineiras como principal ganho percebido com o uso de IA.
Para Matsuda, a tecnologia deve ampliar a capacidade das equipes. “A máquina deve assumir aquilo que consegue executar melhor, liberando as pessoas para atividades que exigem análise, criatividade e tomada de decisão.”
Integração e segurança entram no centro da estratégia
O avanço da IA também evidencia um desafio estrutural: muitas empresas ainda operam com dados, aplicações e processos distribuídos em diferentes ambientes. Por isso, integração passa a ser condição para que projetos avancem da experimentação para a escala.
Conectar sistemas, organizar fluxos de dados e garantir acesso seguro às informações deixam de ser apenas questões técnicas e passam a integrar a estratégia do negócio.
A segurança acompanha esse movimento. Quanto maior a autonomia das aplicações, maior a necessidade de controle de acessos, monitoramento, proteção de dados e governança.
“Segurança e governança precisam estar incorporadas à arquitetura tecnológica desde o início”, afirma Matsuda.
ROI passa a definir quais projetos avançam
Outra prioridade é o retorno sobre investimento. Projetos de tecnologia deverão demonstrar impacto sobre produtividade, custos, receita, eficiência operacional ou experiência do cliente.
“A pergunta deixa de ser apenas ‘o que a tecnologia consegue fazer?’ e passa a ser ‘qual problema ela resolve e qual valor entrega para o negócio?’”, afirma o CEO da CBYK.
A tendência é que projetos partam de problemas específicos e indicadores mensuráveis, ganhando escala conforme comprovem resultados.
A quinta prioridade é a infraestrutura. A expansão da IA aumenta a demanda por processamento, armazenamento, cloud, conectividade e integração. Sem essa base, iniciativas bem-sucedidas podem encontrar dificuldades para avançar.
Para Matsuda, o próximo ciclo será menos marcado pela experimentação e mais pela capacidade de escolher onde investir.
“A tecnologia já faz parte da estratégia das empresas. O próximo passo é transformar essa estratégia em investimentos que combinem resultado, integração, segurança e infraestrutura adequada”, conclui.

Maurício Matsuda, CEO da CBYK
