CBYK
Setor financeiro acelera automação interna para reduzir custos e ganhar eficiência
27/07/2026 às 11h22

Inteligência artificial e integração de sistemas ganham espaço nos investimentos do setor financeiro em busca de produtividade, escala e redução de custos
Depois de uma etapa de investimentos concentrados na digitalização dos serviços oferecidos aos clientes, bancos e outras instituições financeiras começam a direcionar maior atenção para os processos que funcionam nos bastidores das operações. Automação, inteligência artificial e integração de sistemas passam a ocupar espaço nessa estratégia, com o objetivo de reduzir tarefas manuais, aumentar a produtividade e dar escala aos serviços digitais.
Nos últimos anos, a transformação tecnológica do sistema financeiro brasileiro esteve fortemente associada à expansão do Pix, do Open Finance, dos aplicativos bancários e da contratação digital de produtos e serviços. A evolução modificou a relação dos consumidores com as instituições, mas não necessariamente eliminou gargalos existentes nas estruturas internas.
Para Maurício Matsuda, CEO da CBYK, empresa especializada no desenvolvimento de soluções tecnológicas para instituições financeiras, a modernização dessas operações representa uma nova frente de competitividade para o setor.
“A digitalização trouxe avanços importantes para o cliente. Agora, bancos e instituições financeiras precisam modernizar suas operações internas, reduzir atividades manuais e usar dados para tomar decisões com mais rapidez e eficiência”, afirmou Matsuda.
O movimento ocorre em um período de expansão dos recursos destinados à tecnologia. Segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2025, realizada pela Deloitte, os bancos brasileiros devem investir cerca de R$ 47,8 bilhões na área. Tecnologias relacionadas à inteligência artificial, analytics e big data estão entre as frentes contempladas por esses investimentos.
A mudança de foco ocorre porque parte da digitalização realizada nos últimos anos transferiu procedimentos do ambiente físico para o eletrônico sem, necessariamente, redesenhar toda a operação. Processos relacionados à análise de documentos, concessão de crédito, compliance, auditoria e controles internos, por exemplo, ainda podem envolver tarefas manuais, diferentes sistemas e várias etapas de validação.
Nesse cenário, a automação inteligente é utilizada para conectar sistemas, eliminar atividades repetitivas e reorganizar fluxos de trabalho. A incorporação da inteligência artificial amplia essa capacidade ao permitir que determinadas análises sejam executadas com maior velocidade e em volumes mais elevados.
“A automação não significa apenas executar uma tarefa com mais rapidez. Ela permite fazer melhor, com rastreabilidade, controle de riscos e informações mais qualificadas para a tomada de decisão”, explicou Matsuda.
A busca por eficiência também ocorre em meio ao aumento das exigências relacionadas à segurança e à governança das instituições financeiras. A Resolução BCB nº 85/2021 estabeleceu requisitos relacionados à política de segurança cibernética e ao gerenciamento de riscos, reforçando a necessidade de combinar a adoção de novas tecnologias com mecanismos de controle e proteção das informações.
A qualidade dos dados é outro componente dessa transformação. Sistemas de inteligência artificial dependem de informações consistentes, processos estruturados e regras de governança capazes de determinar como os dados são coletados, utilizados e monitorados. Sem uma revisão dos fluxos existentes, a simples adoção de novas ferramentas tende a limitar os ganhos esperados.
A automação também modifica a distribuição do trabalho dentro das instituições. Com a redução de atividades repetitivas, profissionais podem dedicar maior parcela do tempo a análises, relacionamento com clientes, gestão de riscos e decisões consideradas estratégicas para o negócio.
A tendência é que automação, dados e inteligência artificial sejam incorporados de maneira cada vez mais integrada às estruturas operacionais do setor financeiro. Além da redução de custos, a modernização dos processos internos pode aumentar a capacidade das instituições de responder a mudanças regulatórias e de mercado, ao mesmo tempo que sustenta a expansão dos serviços digitais.
“Não basta oferecer uma boa experiência digital na ponta. A instituição precisa construir uma operação capaz de sustentar essa entrega. O próximo salto competitivo do setor financeiro acontecerá nos processos que o cliente não vê, mas que determinam a qualidade de toda a sua jornada”, completou Matsuda.

Maurício Matsuda, CEO da CBYK, diz que a modernização das operações representa uma frente de competitividade


