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Setor financeiro deixa regras fixas para antecipar fraudes

03/07/2026 às 11h51

Com golpes turbinados por IA, instituições financeiras migram para modelos que detectam fraude antes que ela aconteça

As fraudes digitais avançaram tanto no Brasil que reagir depois do golpe já não é suficiente, avaliam os especialistas ouvidos pelo Finsiders Brasil. Entre julho de 2024 e junho de 2025, golpes com Pix ou boletos bancários, por exemplo, fizeram 24 milhões de vítimas no país, com prejuízo estimado em quase R$ 29 bilhões, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Só em 2024, as perdas relacionadas especificamente a fraudes com Pix somaram R$ 4,9 bilhões, de acordo com estimativas de entidades e empresas de cibersegurança do setor. A tendência é de alta: um estudo da ACI Worldwide projeta que esse número pode ultrapassar R$ 12 bilhões até 2028.

O crescimento das fraudes acompanha o próprio crescimento do Pix, que superou a marca de 7 bilhões de transações mensais no início deste ano. O Banco Central (BC) registrou média de 390 mil notificações de suspeita de fraude por mês em 2024, segundo dados obtidos via Lei de Acesso à Informação.

Diante desses números, bancos e fintechs têm abandonado a segurança baseada em regras estáticas, que reage a padrões já conhecidos, e migrado para modelos que tentam identificar a fraude antes que ela se consume.

Evolução das fraudes digitais

O ambiente digital se tornou mais complexo e, ao mesmo tempo, as fraudes também se sofisticaram. Se por um lado ferramentas como a Inteligência Artificial (IA) facilitaram a execução de tarefas do dia a dia de várias empresas, por outro, também passaram a permitir que criminosos apliquem golpes.

“A área de marketing, por exemplo, segue um playbook de marca com as cores ou com o tom de voz da marca. Hoje, criminosos estão usando a IA basicamente da mesma maneira. Eles analisam tudo que essa marca produz e fazem materiais idênticos aos originais. Com isso, tentam aplicar golpes, principalmente de phishing”, conta Wilson Tayar, diretor de tecnologia da Tera, edtech brasileira voltada para a economia digital. 

Especialistas frisam que, embora a IA não tenha criado o crime digital, ela aumentou sua escala, velocidade e capacidade de persuasão. Criminosos conseguem criar e-mails, documentos, imagens, áudios e vídeos com alto grau de realismo e personalização Ela também permite automatizar a coleta de informações, mapear perfis e adaptar golpes ao comportamento de cada vítima. 

“A fraude deixou de ser uma disputa entre bancos e criminosos. Hoje a principal batalha é contra o tempo. O fraudador opera em segundos, e as instituições precisam responder na mesma velocidade para proteger recursos, preservar a confiança dos clientes e evitar impactos ao negócio”, diz Alcione Giovanella, sócio da CBYK Consultoria e especialista em segurança transacional.

Técnicas utilizadas
O avanço das fraudes via Pix, especialmente com uso de IA, deepfakes, engenharia social automatizada e malwares bancários, já colocou o sistema financeiro brasileiro diante de um novo desafio regulatório.

Além da clonagem de voz e deepfake para se passar por familiares ou executivos em ligações e vídeos, e do phishing hiperpersonalizado gerado por modelos de linguagem (LLMs) – sem os erros de português que antes entregavam o golpe -, há ataques de credential stuffing (que utilizam credenciais vazadas) com modelos preditivos que priorizam quais senhas tentar e em quais bancos.

“Também há a criação de documentos sintéticos para burlar o onboarding digital de fintechs. O denominador comum é velocidade e escala: o que antes exigia uma equipe, hoje um único agente automatizado consegue executar”, conta Fabio Noronha, diretor de segurança da informação da Evertec Brasil.

Bancos e fintechs respondem às ameaças
Mas as instituições financeiras não ficam atrás e estão investindo em plataformas antifraude mais robustas. Também há uma compreensão maior de que tecnologia, sozinha, não resolve o problema. Os bancos passam a observar melhor a jornada completa do cliente, o modelo de negócio, os produtos, os canais, os processos e o apetite de risco.

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